Não sou daqui

Um blog sobre intercâmbio

Missão Cumprida

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Ir para o exterior envolve muitas etapas até que a viagem seja realizada. A mais complicada é o lado psicológico. É difícil lutar contra as emoções de ir embora de seu país, deixar para trás amigos e família. Mesmo que o tempo de permanência no destino não seja tão longo assim, é complicado ter de enfrentar tantas emoções contraditórias. Viajar para exterior é um sonho para muitos e, depois de realizado, é difícil aceitar o seu fim. Diferente do que muitos pensam, o término de um intercâmbio não é tão fácil, afinal, voltar às próprias raízes pode ser um processo complicado. Depois de acostumar-se a uma diferente cultura, à língua e às pessoas, os costumes e a rotina anteriores se tornam estranhos.

Esse é o problema com o qual muitos intercambistas se deparam: o período de readaptação. Ao mesmo tempo em que as pessoas se sentem tristes ao ter que encarar a separação dos amigos feitos durante a estada, enfrenta-se o medo de não voltar a se acostumar ao país de origem. Juliano Pozatti Moure, que ficou quase um ano na Austrália, afirma que, “mais para o fim, bate aquela incerteza de que nada vai dar certo no Brasil. Mas é um sentimento diferente, pois ao mesmo tempo, tu sentes saudades de muitas coisas que tu acabas por ter deixado por aqui”. Juliano diz que sofreu dificuldades ao voltar para o Brasil devido ao atraso na faculdade: “Sofri dificuldades principalmente pela questão financeira e, consequentemente, pelo reconhecimento profissional. No Brasil, principalmente no sul, as pessoas também são muito julgadas ainda pelos estereótipos.”

Para a estudante Nina Mattos, 18 anos, que passou um ano na Alemanha, o maior problema foi a readaptação à língua mãe, principalmente em sua primeira semana: “A minha primeira semana foi um choque de 220 volts, pois eu não estava mais acostumada aos hábitos brasileiros, ao idioma. Eu não conseguia falar uma frase inteira em português sem misturar com o alemão”. Ela conta que quando estava no shopping com algumas amigas alemãs que estavam morando no Brasil, elas tiveram que falar português por Nina: “Na hora de voltar para casa, tive que perguntar a um guarda qual era a direção que tínhamos que pegar o ônibus. Mas eu não conseguia perguntar em português, eu só falava a palavra ônibus. Logicamente o guarda não entendeu nada e as meninas começaram a rir” .

Nem sempre voltar para casa precisa ser razão para desespero. Rafael Paim morou na Austrália e afirma que a única dificuldade que enfrentou no Brasil foi o fuso horário. Ao questionarmos seu irmão, João Paulo Silveira Paim, se ele havia notado alguma mudança em Rafael, disse que só estranhou a barba nova. Entretanto, o intercambista rebateu afirmando que o irmão não reparava muito “nas coisas”, e contou como ele voltou para o país com um diferente ponto de vista: “Voltei querendo estudar e terminar a faculdade. Também voltei diferente no meu jeito de pensar. Lá eu tive que trabalhar de verdade. E isso eu achei bom, me fez repensar várias coisas no dia a dia, não só em mim, como nos outros. Eu olho diferente pra um pedreiro agora, por exemplo”.

Mesmo que retornar não seja cheio de sentimentos felizes, as pessoas sempre voltam diferentes. Arléte Maria Pozatti Moure, mãe de Juliano, afirma que o filho voltou modificado: “O Juliano se mostrou muito mais prestativo e independente nas decisões a serem tomadas. A consulta a mim, que antes era algo constante, se tornou menos essencial”. Para Mara Rosande Enimitef Scheck mãe de Vanessa Scheck, que fez intercâmbio para o Canadá, a filha voltou “mais segura, independente, com iniciativas. Foi gratificante ouvir todas as experiências que ela vivenciou”. Diz ainda ter achado a experiência muito válida e recomenda para todos que tiverem oportunidade.

Uma das nossas blogueiras também teve uma experiência no exterior. Confira abaixo seu depoimento:

Débora Backes Barboza, 18 anos, Toronto – Canadá
Sempre quis viajar para o exterior, mas nunca soube bem para onde. O Canadá surgiu como uma opção depois de pensar muito e conversar com pessoas que já tinham viajado e, também, por ser um pouco mais barato. Então acabei indo para Toronto, que me atraiu por ser uma cidade grande. Lá fiquei dois meses estudando inglês em uma escola para estrangeiros.
No início confesso que não gostei muito nem do lugar nem das pessoas. A minha hostfamily era muito fria comigo e eu me senti sozinha na primeira semana, antes de ir para a escola. A minha sorte foi ter uma venezuelana morando na mesma casa que eu, que me mostrou a cidade logo no primeiro dia, me levou para sair com os amigos dela e foi muito paciente comigo.

Em frente a CN Tower, símbolo de Toronto

Em frente a CN Tower, símbolo de Toronto

Depois que comecei a ir para a escola tudo ficou mais fácil, pois conheci várias pessoas que passavam pela mesma situação que eu: a adaptação. Acho que nos primeiros dias o mais complicado é a língua e o clima, já que saí daqui no verão e quando cheguei lá fazia quase -20 graus.

Se acostumar ao sistema de transporte deles também foi dificil. Eles utilizam metrô para ir a todos os lugares, ônibus é usado somente para levar até a estação de metrô mais próxima. Apesar de ser um meio de transporte muito rápido, dá muito problema, principalmente no inverno, e quando ele pára, a cidade pára junto. No início achava muito ruim, mas depois de acostumada a má impressão passou. Meus amigos estrangeiros e brasileiros contribuíram bastante para a minha completa adaptação. Menos de um mês depois da minha chegada, já me sentia em casa. Podia ir para todos os lados sem me perder e o inglês estava mais fluente.

O fato de Toronto ser uma cidade repleta de imigrantes também ajudou, parece que deixa os canadenses mais receptivos para quem vem de fora do país. Porém, achava muito estranho quase não ver canadenses puros (filhos de canadenses), mas trocar experiências com diversas culturas foi interessante. Recomendo essa cidade para quem gosta de cidades grandes, de conhecer novas culturas e de arte, pois a cidade tem boas galerias, eventos teatrais e musicais. A segurança também é notável. Meus professores me contaram que o indice de assassinatos na cidade é de 70 por ano. Algo incrivel se comparado ao Brasil. Porém, por ser uma cidade muito grande, é preciso ter cuidado.

Depois de dois meses lá fiquei com ótimas impressões da cidade e do país, já que conheci vários lugares. Quando voltei para o Brasil, achei tudo muito estranho. No início comparava tudo com o Canadá e não parava de falar das minhas experiências. Passar do inglês para o português foi um pouco difícil, mesmo falando português quase todos os dias com meus amigos brasileiros. Mas na hora de fazer pedidos em restaurantes, em lojas e até em atender o telefone, eu me confundia. Lembro que quando estava no aeroporto de São Paulo, não conseguia pedir um cachorro quente em português. Depois de um mês, mais ou menos, já estava acostumada, mas até hoje vejo o Canadá como uma opção de vida e penso em voltar.

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Written by Débora, Fernanda, Ita e Laís

26/06/2009 às 9:14 AM

Publicado em Uncategorized

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