Não sou daqui

Um blog sobre intercâmbio

Para onde você vai?

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Fazer intercâmbio envolve muitas decisões difíceis. Pior do que juntar o dinheiro para a viagem e preencher a papelada toda, uma das maiores dúvidas é o lugar para onde ir. Diante de tantas culturas diferentes ao redor do mundo, tantos paises que falam a língua que você estudou por anos, qual será o lugar certo para se viver esta experiência única? O blog Não Sou Daqui tentou dar uma mãozinha para aqueles que ainda estão em dúvida. Algumas pessoas tem várias dicas boas para quem estava pensando em ir para algum pais da América do Norte. Ou você prefere a Oceania? Quem sabe Europa então? Bem, nós fizemos o possível para conseguir um pouco de cada um desses.

Luiza Alice, 19 anos, Dinamarca: Escolhi a Dinamarca porque não é totalmente fora da Europa. É frio, é uma língua diferente e única. A minha expectativa em relação a minha família infelizmente não foi o que eu queria. Minha primeira família na qual passei 6 meses não deu certo. Minha “mãe” hospedeira não conseguia entender a minha própria cultura, e muito menos aceitá-la. Eu tentei várias vezes falar com a minha conselheira e ver o que eu podia mudar, pois pensava q o problema era eu. Por mais que a pessoa tente se adaptar, sempre vai carregar a sua cultura. A minha mãe hospedeira não aceitava e não aguentava mais. Quando troquei, fui para uma família que respeitou minha cultura, que me tratava como filha, discutindo, rindo, dando conselho e tudo mais. Em relação a escola, foi melhor que eu imaginava. Minha turma eu considero minha família.
Eu ficaria por lá certamente, mas não viveria lá para sempre. Por mais que eu goste de frio, o inverno é muito depressivo, muito escuro. O que mais me encantou foi a historia, a monarquia, os castelos. É simplesmente maravilhoso, e ver o amor que o pais tem pela família real, é muito lindo. É como um conto de fadas. Outro ponto positivo do pais é a segurança. Um ponto negativo que eu notei foi os transportes públicos nos finais de semana: os ônibus morrem praticamente, e como é um pais de muitas ilhas e a parte continental é mais de agricultura, pra ir de um lugar ao outro depende-se muito dos ônibus.

Rafael Silveira Paim, 24 anos. Austrália: Fiquei três meses na Austrália e um na Nova Zelândia, mas trabalhando. Na Austrália a vida era muito boa. Morei numa praia em Sydney. Não tinha medo de sair na rua em qualquer horário. A única dificuldade que sofri foi o inglês. Mas o povo de lá tem muita paciência porque tem muito turista. Mas eu também sofri um pouco de preconceito dos vizinhos. Mas no geral me trataram muito bem. O povo lá é muito educado. É desculpa pra tudo: se raspou em ti, num esbarrão, já pedem desculpa. No transito, todos os carros param na faixa de segurança. O clima é praticamente o mesmo do Brasil. E lá tudo funciona: não pode beber na rua. Gostaria de ter ficado, mas ia querer levar minha família. A vida é melhor lá. Só de viver tranquilo é muito bom, não tem perigos.
Diria para quem estiver indo, ir disposto a topar qualquer coisa, porque o trabalho pra brasileiro lá é complicado. Eu não era formado, daí emprego pra nós é de pedreiro, lavar pratos, fazer força em lojas de móveis.

Bernard Caye Grunhauser, 19 anos. Montreal, Canadá: Fiquei lá mais ou menos um mês. Fiquei na casa de uma família considerada de classe média-baixa e mesmo assim percebi que tinham bens que poucas pessoas tem acesso (exemplo: TV de LCD, ipods, computadores bons, carros bons, videogames de última geração, etc.). Além do mais, era uma vida tranquila e com certeza segura, eu e meus amigos passeávamos pela cidade a pé de madrugada e nunca tivemos problemas. Tive um pouco de dificuldade com a comida. Não que tenha sido um grande problema, mas é diferente. As comidas mais acessíveis eram os junks-food. Comer “comida mesmo”, um bom prato de arroz e feijão, era um pouco mais complicado, além de ser mais difícil de achar, era mais caro.
No Canadá, existe um pouco de descendência francesa e isso trouxe um pouco aquela velha história de que se você não sabe falar francês, eles meio que te ignoram ou não tem tanta paciência em falar contigo. Ao menos em Montreal, há bairros específicos em que o francês predomina. Sabendo ir aos lugares certos, não terá nenhum problema com isso. Pelo pouco tempo que eu fiquei, as principais diferenças entre o Brasil e o Canadá que notei é a segurança, comida, transporte público e preço das coisas. Também as pessoas são um pouco mais fechadas que os brasileiros, não que nem os ingleses, mas não são tão festeiros e com o famoso “jeitinho brasileiro”. Um dos meus sonhos é voltar e quem sabe morar lá. É um ótimo lugar pra se viver, lindas paisagens, cultura interessante, qualidade de vida boa, ótima segurança, preços das coisas ridiculamente mais barato do que o Brasil.
O conselho que dou para quem está indo é tentar aprender um pouco de francês também. Às vezes não entendi algumas coisas justamente por não saber nada de francês. Sabendo um pouco, já ajuda bastante. É um lugar que nem preciso pensar duas vezes para recomendar.

Henrique Luiz Cenatti Basler, 19 anos. Alemanha: Passei 3 meses lá. A vida era excelente, não vejo a hora de voltar pra lá. A única dificuldade que tive foi o choque da língua estrangeira, mas eu já tinha nível básico em alemão, então fiquei tranquilo depois do primeiro mês. Depois que você está lá, a língua entra em ti. Você aprende muita coisa muito rapidamente. O que eu aprendi lá provavelmente não aprenderia em um ano estudando alemão aqui. Não sofri preconceito. Achei super tranquilo. Acho que a principal diferença é a qualidade de vida. Segurança foi algo que fiquei impressionado. Fiquei três meses em Berlin, podia caminhar pela rua em qualquer horário e não me senti inseguro. Para quem quer aprender a língua, o intercâmbio é muito bom. Só pra passear aconselho a não ficar mais que duas semanas, porque não tem muito que se fazer.

Vanessa Scheck, 18 anos. Toronto e Vancouver, Canadá: Passei algumas semanas em Vancouver. Fiquei em uma casa de família e depois fui para Toronto, onde fiquei em um hotel apenas para conhecer o lugar. Ambas cidades são lindíssimas, porém, Vancouver é uma cidade menor, não tão fria e mais limpa e parece ser mais segura. Toronto é uma cidade enorme, mais suja e a temperatura é bem mais baixa. O que mais me chamou a atenção foi a segurança, a limpeza, a infraestrutura da cidade, a quantidade e a variedade de transportes públicos. No ônibus, por exemplo, ninguém vai em pé, só é permitido o número de pessoas que podem sentar.
È um lugar que tem mais estrangeiros do que canadenses. Tem muitos brasileiros, o que acaba atrapalhando, pois os estudantes acabam se comunicando em português. Mas o bom de ir pra lá é que como todo mundo está aprendendo, a gente acaba perdendo a vergonha de falar. O país é muito seguro, a limpeza das ruas é incrível, tem lixeiras por toda parte, não se vê um papel no chão. O respeito dos motoristas com os pedestres é uma coisa que chama a atenção também. Os transportes públicos são ótimos e muito pontuais.

Confira o depoimento de outros estudantes no vídeo abaixo:

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Written by Débora, Fernanda, Ita e Laís

12/06/2009 às 10:18 AM

Publicado em Uncategorized

3 Respostas

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  1. […] antes era algo constante, se tornou menos essencial”. Para Mara Rosande Enimitef Scheck mãe de Vanessa Scheck, que fez intercâmbio para o Canadá, a filha voltou “mais segura, independente, com iniciativas. […]

  2. Olá pessoal! Queria parabenizá-los por todas as matérias! Ricas em depoimentos e dicas. Nossa, um guia maravilhoso para todas as pessoas que querem mergulhar no mundo do intercâmbio. Mostra de uma maneira bem natural as dúvidas, receios e ansiedade das pessoas que viajaram para outro país. Vou indicar ao pessoal que vem aqui na agência…dar uma espiada e tirar o “medo” de enfrentar o novo. Abraço e ficarei aqui acompanhando tudo!

    Kelly

    05/10/2009 at 9:03 PM

    • Muito obrigada. E continue visitando nosso blog e recomendando a outras pessoas.

      Débora, Fernanda, Ita e Laís

      17/10/2009 at 9:35 PM


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