Não sou daqui

Um blog sobre intercâmbio

Missão Cumprida

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Ir para o exterior envolve muitas etapas até que a viagem seja realizada. A mais complicada é o lado psicológico. É difícil lutar contra as emoções de ir embora de seu país, deixar para trás amigos e família. Mesmo que o tempo de permanência no destino não seja tão longo assim, é complicado ter de enfrentar tantas emoções contraditórias. Viajar para exterior é um sonho para muitos e, depois de realizado, é difícil aceitar o seu fim. Diferente do que muitos pensam, o término de um intercâmbio não é tão fácil, afinal, voltar às próprias raízes pode ser um processo complicado. Depois de acostumar-se a uma diferente cultura, à língua e às pessoas, os costumes e a rotina anteriores se tornam estranhos.

Esse é o problema com o qual muitos intercambistas se deparam: o período de readaptação. Ao mesmo tempo em que as pessoas se sentem tristes ao ter que encarar a separação dos amigos feitos durante a estada, enfrenta-se o medo de não voltar a se acostumar ao país de origem. Juliano Pozatti Moure, que ficou quase um ano na Austrália, afirma que, “mais para o fim, bate aquela incerteza de que nada vai dar certo no Brasil. Mas é um sentimento diferente, pois ao mesmo tempo, tu sentes saudades de muitas coisas que tu acabas por ter deixado por aqui”. Juliano diz que sofreu dificuldades ao voltar para o Brasil devido ao atraso na faculdade: “Sofri dificuldades principalmente pela questão financeira e, consequentemente, pelo reconhecimento profissional. No Brasil, principalmente no sul, as pessoas também são muito julgadas ainda pelos estereótipos.”

Para a estudante Nina Mattos, 18 anos, que passou um ano na Alemanha, o maior problema foi a readaptação à língua mãe, principalmente em sua primeira semana: “A minha primeira semana foi um choque de 220 volts, pois eu não estava mais acostumada aos hábitos brasileiros, ao idioma. Eu não conseguia falar uma frase inteira em português sem misturar com o alemão”. Ela conta que quando estava no shopping com algumas amigas alemãs que estavam morando no Brasil, elas tiveram que falar português por Nina: “Na hora de voltar para casa, tive que perguntar a um guarda qual era a direção que tínhamos que pegar o ônibus. Mas eu não conseguia perguntar em português, eu só falava a palavra ônibus. Logicamente o guarda não entendeu nada e as meninas começaram a rir” .

Nem sempre voltar para casa precisa ser razão para desespero. Rafael Paim morou na Austrália e afirma que a única dificuldade que enfrentou no Brasil foi o fuso horário. Ao questionarmos seu irmão, João Paulo Silveira Paim, se ele havia notado alguma mudança em Rafael, disse que só estranhou a barba nova. Entretanto, o intercambista rebateu afirmando que o irmão não reparava muito “nas coisas”, e contou como ele voltou para o país com um diferente ponto de vista: “Voltei querendo estudar e terminar a faculdade. Também voltei diferente no meu jeito de pensar. Lá eu tive que trabalhar de verdade. E isso eu achei bom, me fez repensar várias coisas no dia a dia, não só em mim, como nos outros. Eu olho diferente pra um pedreiro agora, por exemplo”.

Mesmo que retornar não seja cheio de sentimentos felizes, as pessoas sempre voltam diferentes. Arléte Maria Pozatti Moure, mãe de Juliano, afirma que o filho voltou modificado: “O Juliano se mostrou muito mais prestativo e independente nas decisões a serem tomadas. A consulta a mim, que antes era algo constante, se tornou menos essencial”. Para Mara Rosande Enimitef Scheck mãe de Vanessa Scheck, que fez intercâmbio para o Canadá, a filha voltou “mais segura, independente, com iniciativas. Foi gratificante ouvir todas as experiências que ela vivenciou”. Diz ainda ter achado a experiência muito válida e recomenda para todos que tiverem oportunidade.

Uma das nossas blogueiras também teve uma experiência no exterior. Confira abaixo seu depoimento:

Débora Backes Barboza, 18 anos, Toronto – Canadá
Sempre quis viajar para o exterior, mas nunca soube bem para onde. O Canadá surgiu como uma opção depois de pensar muito e conversar com pessoas que já tinham viajado e, também, por ser um pouco mais barato. Então acabei indo para Toronto, que me atraiu por ser uma cidade grande. Lá fiquei dois meses estudando inglês em uma escola para estrangeiros.
No início confesso que não gostei muito nem do lugar nem das pessoas. A minha hostfamily era muito fria comigo e eu me senti sozinha na primeira semana, antes de ir para a escola. A minha sorte foi ter uma venezuelana morando na mesma casa que eu, que me mostrou a cidade logo no primeiro dia, me levou para sair com os amigos dela e foi muito paciente comigo.

Em frente a CN Tower, símbolo de Toronto

Em frente a CN Tower, símbolo de Toronto

Depois que comecei a ir para a escola tudo ficou mais fácil, pois conheci várias pessoas que passavam pela mesma situação que eu: a adaptação. Acho que nos primeiros dias o mais complicado é a língua e o clima, já que saí daqui no verão e quando cheguei lá fazia quase -20 graus.

Se acostumar ao sistema de transporte deles também foi dificil. Eles utilizam metrô para ir a todos os lugares, ônibus é usado somente para levar até a estação de metrô mais próxima. Apesar de ser um meio de transporte muito rápido, dá muito problema, principalmente no inverno, e quando ele pára, a cidade pára junto. No início achava muito ruim, mas depois de acostumada a má impressão passou. Meus amigos estrangeiros e brasileiros contribuíram bastante para a minha completa adaptação. Menos de um mês depois da minha chegada, já me sentia em casa. Podia ir para todos os lados sem me perder e o inglês estava mais fluente.

O fato de Toronto ser uma cidade repleta de imigrantes também ajudou, parece que deixa os canadenses mais receptivos para quem vem de fora do país. Porém, achava muito estranho quase não ver canadenses puros (filhos de canadenses), mas trocar experiências com diversas culturas foi interessante. Recomendo essa cidade para quem gosta de cidades grandes, de conhecer novas culturas e de arte, pois a cidade tem boas galerias, eventos teatrais e musicais. A segurança também é notável. Meus professores me contaram que o indice de assassinatos na cidade é de 70 por ano. Algo incrivel se comparado ao Brasil. Porém, por ser uma cidade muito grande, é preciso ter cuidado.

Depois de dois meses lá fiquei com ótimas impressões da cidade e do país, já que conheci vários lugares. Quando voltei para o Brasil, achei tudo muito estranho. No início comparava tudo com o Canadá e não parava de falar das minhas experiências. Passar do inglês para o português foi um pouco difícil, mesmo falando português quase todos os dias com meus amigos brasileiros. Mas na hora de fazer pedidos em restaurantes, em lojas e até em atender o telefone, eu me confundia. Lembro que quando estava no aeroporto de São Paulo, não conseguia pedir um cachorro quente em português. Depois de um mês, mais ou menos, já estava acostumada, mas até hoje vejo o Canadá como uma opção de vida e penso em voltar.

Written by Débora, Fernanda, Ita e Laís

26/06/2009 at 9:14 AM

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Para onde você vai?

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Fazer intercâmbio envolve muitas decisões difíceis. Pior do que juntar o dinheiro para a viagem e preencher a papelada toda, uma das maiores dúvidas é o lugar para onde ir. Diante de tantas culturas diferentes ao redor do mundo, tantos paises que falam a língua que você estudou por anos, qual será o lugar certo para se viver esta experiência única? O blog Não Sou Daqui tentou dar uma mãozinha para aqueles que ainda estão em dúvida. Algumas pessoas tem várias dicas boas para quem estava pensando em ir para algum pais da América do Norte. Ou você prefere a Oceania? Quem sabe Europa então? Bem, nós fizemos o possível para conseguir um pouco de cada um desses.

Luiza Alice, 19 anos, Dinamarca: Escolhi a Dinamarca porque não é totalmente fora da Europa. É frio, é uma língua diferente e única. A minha expectativa em relação a minha família infelizmente não foi o que eu queria. Minha primeira família na qual passei 6 meses não deu certo. Minha “mãe” hospedeira não conseguia entender a minha própria cultura, e muito menos aceitá-la. Eu tentei várias vezes falar com a minha conselheira e ver o que eu podia mudar, pois pensava q o problema era eu. Por mais que a pessoa tente se adaptar, sempre vai carregar a sua cultura. A minha mãe hospedeira não aceitava e não aguentava mais. Quando troquei, fui para uma família que respeitou minha cultura, que me tratava como filha, discutindo, rindo, dando conselho e tudo mais. Em relação a escola, foi melhor que eu imaginava. Minha turma eu considero minha família.
Eu ficaria por lá certamente, mas não viveria lá para sempre. Por mais que eu goste de frio, o inverno é muito depressivo, muito escuro. O que mais me encantou foi a historia, a monarquia, os castelos. É simplesmente maravilhoso, e ver o amor que o pais tem pela família real, é muito lindo. É como um conto de fadas. Outro ponto positivo do pais é a segurança. Um ponto negativo que eu notei foi os transportes públicos nos finais de semana: os ônibus morrem praticamente, e como é um pais de muitas ilhas e a parte continental é mais de agricultura, pra ir de um lugar ao outro depende-se muito dos ônibus.

Rafael Silveira Paim, 24 anos. Austrália: Fiquei três meses na Austrália e um na Nova Zelândia, mas trabalhando. Na Austrália a vida era muito boa. Morei numa praia em Sydney. Não tinha medo de sair na rua em qualquer horário. A única dificuldade que sofri foi o inglês. Mas o povo de lá tem muita paciência porque tem muito turista. Mas eu também sofri um pouco de preconceito dos vizinhos. Mas no geral me trataram muito bem. O povo lá é muito educado. É desculpa pra tudo: se raspou em ti, num esbarrão, já pedem desculpa. No transito, todos os carros param na faixa de segurança. O clima é praticamente o mesmo do Brasil. E lá tudo funciona: não pode beber na rua. Gostaria de ter ficado, mas ia querer levar minha família. A vida é melhor lá. Só de viver tranquilo é muito bom, não tem perigos.
Diria para quem estiver indo, ir disposto a topar qualquer coisa, porque o trabalho pra brasileiro lá é complicado. Eu não era formado, daí emprego pra nós é de pedreiro, lavar pratos, fazer força em lojas de móveis.

Bernard Caye Grunhauser, 19 anos. Montreal, Canadá: Fiquei lá mais ou menos um mês. Fiquei na casa de uma família considerada de classe média-baixa e mesmo assim percebi que tinham bens que poucas pessoas tem acesso (exemplo: TV de LCD, ipods, computadores bons, carros bons, videogames de última geração, etc.). Além do mais, era uma vida tranquila e com certeza segura, eu e meus amigos passeávamos pela cidade a pé de madrugada e nunca tivemos problemas. Tive um pouco de dificuldade com a comida. Não que tenha sido um grande problema, mas é diferente. As comidas mais acessíveis eram os junks-food. Comer “comida mesmo”, um bom prato de arroz e feijão, era um pouco mais complicado, além de ser mais difícil de achar, era mais caro.
No Canadá, existe um pouco de descendência francesa e isso trouxe um pouco aquela velha história de que se você não sabe falar francês, eles meio que te ignoram ou não tem tanta paciência em falar contigo. Ao menos em Montreal, há bairros específicos em que o francês predomina. Sabendo ir aos lugares certos, não terá nenhum problema com isso. Pelo pouco tempo que eu fiquei, as principais diferenças entre o Brasil e o Canadá que notei é a segurança, comida, transporte público e preço das coisas. Também as pessoas são um pouco mais fechadas que os brasileiros, não que nem os ingleses, mas não são tão festeiros e com o famoso “jeitinho brasileiro”. Um dos meus sonhos é voltar e quem sabe morar lá. É um ótimo lugar pra se viver, lindas paisagens, cultura interessante, qualidade de vida boa, ótima segurança, preços das coisas ridiculamente mais barato do que o Brasil.
O conselho que dou para quem está indo é tentar aprender um pouco de francês também. Às vezes não entendi algumas coisas justamente por não saber nada de francês. Sabendo um pouco, já ajuda bastante. É um lugar que nem preciso pensar duas vezes para recomendar.

Henrique Luiz Cenatti Basler, 19 anos. Alemanha: Passei 3 meses lá. A vida era excelente, não vejo a hora de voltar pra lá. A única dificuldade que tive foi o choque da língua estrangeira, mas eu já tinha nível básico em alemão, então fiquei tranquilo depois do primeiro mês. Depois que você está lá, a língua entra em ti. Você aprende muita coisa muito rapidamente. O que eu aprendi lá provavelmente não aprenderia em um ano estudando alemão aqui. Não sofri preconceito. Achei super tranquilo. Acho que a principal diferença é a qualidade de vida. Segurança foi algo que fiquei impressionado. Fiquei três meses em Berlin, podia caminhar pela rua em qualquer horário e não me senti inseguro. Para quem quer aprender a língua, o intercâmbio é muito bom. Só pra passear aconselho a não ficar mais que duas semanas, porque não tem muito que se fazer.

Vanessa Scheck, 18 anos. Toronto e Vancouver, Canadá: Passei algumas semanas em Vancouver. Fiquei em uma casa de família e depois fui para Toronto, onde fiquei em um hotel apenas para conhecer o lugar. Ambas cidades são lindíssimas, porém, Vancouver é uma cidade menor, não tão fria e mais limpa e parece ser mais segura. Toronto é uma cidade enorme, mais suja e a temperatura é bem mais baixa. O que mais me chamou a atenção foi a segurança, a limpeza, a infraestrutura da cidade, a quantidade e a variedade de transportes públicos. No ônibus, por exemplo, ninguém vai em pé, só é permitido o número de pessoas que podem sentar.
È um lugar que tem mais estrangeiros do que canadenses. Tem muitos brasileiros, o que acaba atrapalhando, pois os estudantes acabam se comunicando em português. Mas o bom de ir pra lá é que como todo mundo está aprendendo, a gente acaba perdendo a vergonha de falar. O país é muito seguro, a limpeza das ruas é incrível, tem lixeiras por toda parte, não se vê um papel no chão. O respeito dos motoristas com os pedestres é uma coisa que chama a atenção também. Os transportes públicos são ótimos e muito pontuais.

Confira o depoimento de outros estudantes no vídeo abaixo:

Written by Débora, Fernanda, Ita e Laís

12/06/2009 at 10:18 AM

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Cheguei, e agora?

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Depois de ver toda documentação e de embarcar rumo ao destino desejado, começa a fase mais importante para muitos intercambistas recém-chegados: a adaptação. É nela que o aluno começa a se acostumar com a língua, com o lugar, com as pessoas e os costumes. Este período pode ser muito complicado e demorado, dependendo do caso. Dificuldades como saudades de casa, estranhamento com relação às diferenças culturais e ao local são os mais sentidos, mas são normais quando se está diante de uma nova realidade.

 Em alguns casos o estudante estranha de tal forma o local que deseja logo desistir da viagem e voltar para seu país de origem. Este foi o caso da aluna Jessica Trevizan, 19 anos. Ela foi para passar seis meses em Toronto, Canadá, e acabou ficando apenas três. Conta que no primeiro dia já pensava em voltar: “A minha primeira semana foi terrível, no primeiro dia eu já queria voltar para o Brasil.” Acrescenta ter decidido diminuir sua estadia: “Senti necessidade de voltar para o Brasil nas primeiras três semanas. Diminui meu tempo de estada lá, mas não voltei imediatamente porque já estava pago.” Porém, conta que após de ter se adaptado, se arrependeu por ter desistido de ficar por menos tempo.

Durante esse período há certos fatores que ajudam para a adaptação. Jessica conta que a proximidade com outros estudantes a ajudou. Além disso, o afastamento com a família que ficou no Brasil foi outro fator importante. Segundo, a psicóloga Cristiane Martins Ferreira está dificuldade é normal e tem motivos, porém o caso muda de acordo com o intercambista : “As expectativas, as motivações e a forma como cada um é capaz de lidar com situações novas, são alguns dos fatores que influenciam na dificuldade ou facilidade de adaptação.” Também diz que a ansiedade e o medo do desconhecido são razões para frustrações e para que o aluno queira voltar para seu país. 

Como dicas para uma melhor adaptação, a psicóloga diz que o estudante deve embarcar sabendo quais são seus objetivos com a experiência e estar aberto para o novo: “Saber exatamente o que está buscando no intercâmbio. Pesquisar bastante à respeito do destino e estar aberto a encontrar coisas diferentes das quais vinha imaginando ao longo do preparo para a viagem são coisas que podem auxiliar a diminuir o medo e a ansiedade do desconhecido.” Além disso, a aluno deve se desapegar um pouco de quem ficou a sua espera, amigos, familiares, namorado ou namorada. Cristiane diz que isso pode ser um empecilho para que o estudante possa aproveitar a viagem. 

A estudante Jessica Trevizan conta sua experiência no Canadá:

Não Sou Daqui: Como foi a primeira semana depois que chegou no país?

Jessica: A minha primeira semana foi terrível, no primeiro dia eu já queria voltar para o Brasil. Sentia muita falta dos meus pais, só deles. A família com a qual eu fui morar me ignorava, falava comigo o básico e nunca me esperavam para jantar, me tratavam como um intrusa.

NSD: Quais foram as principais dificuldades?

Jessica: A primeira dificuldade foi me acostumar a uma família. Eu só ia para casa comer, tomar banho e dormir. Outra dificuldade foi me acostumar com a localização e os meios de transporte. Mas isso foi rápido, e em uma semana eu já estava completamente adaptada. 

NSD: O que ajudou para que se adaptasse e se acostumasse com tudo?

Jessica: Uma das coisas que ajudou a me adaptar mais rápido foram os amigos de cultura semelhante e não manter um contato diário com a minha família. Assim, eu me distraia com outras coisas e não sentia tanta saudade do Brasil.A mudança de casa e de família também ajudou bastante. Todos os estudantes passavam por isso, então ficamos mais próximos, independente da cultura. Os funcionários da escola, também acostumados com a sensibilidade de alguns estudantes, ajudaram bastante.

NSD: Depois desse período de adaptação, como foi sua estada lá?

Jessica: Depois dessa fase de adaptação, o único problema foi não querer voltar. A minha estada lá foi sensacional, foi uma fase de aprendizado constante e de fazer novas amizades semanalmente. Hoje eu sinto dificuldades de adaptação no meu próprio país e não vejo a hora de poder voltar para o Canadá e nunca mais voltar pra cá.

Débora Backes também conversou com os estudantes Allan Kuwer e Ian Linck. Confira o vídeo da entrevista a seguir.

Written by Débora, Fernanda, Ita e Laís

29/05/2009 at 9:28 AM

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Por que fazer intercâmbio?

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O intercâmbio possui um significado simples: troca. Uma troca de experiências, cultural ou comercial. Além disso, é uma alternativa conveniente para quem quer aperfeiçoar uma língua, crescer profissional e pessoalmente. Por isso, o número de estudantes que investem nessa alternativa tem aumentado. A viagem é uma experiência cada vez mais desejada entre os estudantes, principalmente entre aqueles que já estão na faculdade. O motivo é simples: eles sabem que realizar uma viagem para o exterior não só serve como uma grande oportunidade de conhecer diferentes países, costumes, idiomas e pessoas, como é importante para o currículo.
Muitas são as universidades brasileiras, particulares e públicas, que possuem convênios com instituições estrangeiras para proporcionar a seus alunos a oportunidade de cursarem uma parte de seus estudos no exterior. As instituições promovem a oportunidade para os estudantes viajarem ao exterior, no período de seis meses a um ano. Ao mesmo tempo, recebem aqui alunos de outros países.

Bryan faz intercâmbio na PUCRS

Bryan faz intercâmbio na PUCRS

Um desses alunos é Bryan Gibel, estudante americano de jornalismo, que optou por estudar na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Bryan tem 27 anos e domina, além do inglês, espanhol e português. Seu sonho é ser correspondente internacional, e sabe que conhecer a América Latina é importante para realizar seu objetivo. Antes de vir para o Brasil, ele já fez intercâmbio em Cuba e na África do Sul. Em entrevista, afirmou que suas viagens têm sido muito importantes para ampliar seus conhecimentos, seja através dos idiomas e culturas diferentes. Bryan conheceu muitos estudantes vindos de outros países, e também diz gostar muito da faculdade nova. Confira aqui o áudio da entrevista na íntegra.

Alice Weidle, 18 anos, é estudante de Direito na PUCRS e cursou o final do Ensino Médio no exterior. Passou um ano na Nova Zelândia e afirma que a experiência fez diferença em sua vida. A idéia surgiu depois que sua irmã foi para os Estados Unidos e reforçou a vontade de aprender outro idioma. Além disso, Alice acredita que esta vivência no exterior lhe abriu a mente para o novo e a fez amadurecer em vários aspectos, principalmente na forma de lidar com o mundo e de lidar com ela mesma. Garante também que qualquer um que faça intercâmbio uma vez vai querer fazer de novo: “Não conheço ninguém que tenha feito e agora não queria sair por aí conhecendo o mundo e tudo o que ele tem a oferecer.” Acompanhe a entrevista com a estudante:

Não Sou Daqui: Como surgiu a ideia de fazer intercâmbio?

Alice: Minha irmã fez intercâmbio, e uma mudança de ares, por mais difícil que pareça, sempre me pareceu valer muito a pena, principalmente para aprender uma segunda língua. O que tu ganhas lá fora, se tu souberes aproveitar, sempre supera o que se perde aqui. Então, desde pequena já tinha decidido que um dia iria também.

NSD: Acha que é uma experiência importante? Por quê?

Alice: Acho, e demais. Sempre que se conhece alguém novo, sempre se acaba aprendendo ou ensinando alguma coisa. O meio onde tu vives te ajuda a compor quem tu és. Tu absorve coisas desse meio de forma positiva ou negativa, e a quanto mais tu te expores, melhor, mais definidas serão tuas ideias e os teus valores. É como comida: muita gente diz que não gosta sem nem ao menos ter provado. Porém, quanto mais tu provas, mais tu sabes do que gosta ou não, e muitas vezes se surpreende. Com as experiências e pessoas é assim também. Tu aprende a ser tu mesmo, aprende teus limites, e o mais importante, muda o teu jeito de pensar de forma positiva, pois te liberta de pré-conceitos. Aceitar as coisas como elas são é com certeza a parte mais difícil disso tudo, mas depois de superada essa parte, o amadurecimento tu leva para vida toda, te tornando mais forte e mais seguro, e principalmente mais flexível.

NSD: Já tinhas feito intercâmbio antes?

Alice: Nunca, mas agora que fiz, estou louca para fazer de novo. Não conheço ninguém que tenha feito e agora não queria sair por aí conhecendo o mundo e tudo o que ele tem a oferecer. Geralmente, é só quem não se adaptou e não se libertou que continua querendo se fechar no próprio mundo, o que acho uma pena.

NSD: Como foi escolher o lugar para onde ir? É complicado escolher país, estado, cidade, faculdade?

Alice: Foi um pouco difícil. Tanta coisa nova, tantas opções que se abrem e tu não sabes muito sobre elas. É difícil avaliar os países em que tu queres morar porque cultura é como um iceberg, o que tu conheces é a parte de fora, é superficial: comida, roupas, música, língua, etc. A maior parte da cultura seria como a parte do iceberg que fica embaixo da água, só vê quem mergulha. É preciso mergulhar na cultura para conhecê-la bem e saber se te agrada. A falta de informações gera insegurança na hora de escolher. O medo de escolher errado é grande, ninguém quer ficar obrigado num lugar onde não gosta, se desiludir e desperdiçar a oportunidade. Ter um objetivo estabelecido e procurar informações facilita muito a escolha. Por exemplo, se tu queres ser fluente numa segunda língua e realmente viver a cultura de um país, tu deves descartar aqueles nos quais o número de brasileiros é grande, porque a afinidade acaba te aproximando deles e tu deixas de se esforçar para conhecer gente de lá.

NSD: Como o intercâmbio afeta e modifica sua vida?

Alice: Essa é com certeza a pergunta mais difícil de responder. Todas as escolhas que tu fazes afetam tua vida, por menores que sejam. O intercâmbio modifica a minha vida porque me modificou. Minha visão de mundo é outra. Aprendi a ter mais paciência, a ser mais tolerante e flexível, mais sociável, mais responsável, mais segura e mais feliz. Me conheci melhor. Amadureci. Aprendi a lidar com meus erros e aceito mais os erros dos outros, conseguindo de um jeito melhor dar a devida importância das coisas. Passei a bastar mais pra mim mesma e a me afastar de quem não me acrescenta em nada. A dimensão da mudança é tão grande que não tem como eu especificar aqui. Mudei mas não deixei de ser eu mesma, a essência continua, apenas sou mais objetiva.

Written by Débora, Fernanda, Ita e Laís

15/05/2009 at 12:26 PM

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Primeiros passos

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Morar, estudar ou trabalhar no exterior são experiências cada vez mais desejadas pelos jovens. Além da oportunidade de praticar outros idiomas, o intercâmbio também possibilita a convivência com outras culturas. São diversas as opções de cursos e também de moradia. Porém, antes de decidir estes detalhes, é preciso que o intercambista preste atenção em outro aspecto. Quando escolhido o destino de viagem, é preciso providenciar sua documentação. O primeiro passo é juntar a papelada necessária para obter o visto e o passaporte. O lado positivo é que não é tão complicado quanto parece, mas é importante ter um conhecimento prévio antes de colocar o pé na estrada.

Passaporte

O passaporte é necessário para o intercâmbio

O passaporte é necessário para o intercâmbio

O passaporte serve como documento de identificação do viajante. Para fazê-lo, é preciso comparecer à sede da Polícia Federal de sua cidade, com a documentação necessária, que pode ser conferida neste link. O prazo de entrega é de seis dias úteis.

Visto

O visto é uma autorização que dá ao estrangeiro a permissão de ingressar no país e lá permanecer por um tempo determinado. Os destinos atualmente mais procurados pelos estudantes brasileiros são os países da América do Norte –Canadá e Estados Unidos – e da Oceania, onde o mais procurado é a Austrália.

Felipe Daniel, da empresa Schelter, que manda documentação para vistos às Embaixadas dos Estados Unidos, Canadá e Austrália, dá algumas dicas para quem está se preparando para viajar e estudar: “Quem trabalha nas embaixadas sempre pede que tu comproves a tua renda aqui no Brasil e os teus vínculos. Tu entras em contato com a direção da faculdade ou da escola de lá e eles emitem um formulário. Estes formulários são o que caracterizam o teu pedido de visto de estudo”. Essa é a primeira parte, mas há ainda muito para se fazer. “Vão te pedir os três últimos contracheques, as duas últimas declarações do imposto de renda, um extrato bancário.” No caso do estudante não possuir esses documentos em seu nome, deve utilizar dos pais ou responsáveis legais.

No entanto, existem certas diferenças nos processos de obtenção do visto. Para os Estados Unidos, por exemplo, é preciso antes marcar uma entrevista em um dos consulados americanos no Brasil. Eles estão localizados no Recife, no Rio de Janeiro, em Brasília e em São Paulo. Para isso, já são pagos cerca de R$ 40. A entrevista é marcada pelo site, onde os dados do requerente ficam gravados no sistema da imigração norte-americana. Para isso deve ser paga uma taxa de R$ 200. Já o visto, em si, custa em torno de US$ 130. São todos valores atuais, que podem ser alterados a qualquer momento.

Visto canadense

Visto canadense

Para o Canadá, o preço e a documentação são praticamente os mesmos que dos EUA, porém não é necessário ir até o consulado. Se o estudante quiser permanecer até seis meses, o visto pode ser de turismo. Para mais tempo, é preciso ter o visto de estudo e realizar exames médicos, que serão enviados junto com os documentos.

Se o destino for a Austrália, exames médicos também são necessários para quem vai ficar mais de 4 semanas.  Os documentos são os mesmos, últimos contracheques, recibos bancários, mas todos autenticados em cartório, assim como os formulários e a autorização dos responsáveis, caso o estudante seja menor de idade. A taxa é um pouco mais cara, R$ 768, mais o os gastos com os exames médicos.

Na Europa, todos os países exigem visto de estudo. Porém, o visto é concedido apenas na entrada do país, ou seja, na imigração. Muitas vezes, são destinos escolhidos pela maior facilidade de conseguir a liberação. Diferentemente dos Estados Unidos, não há necessidade de realizar entrevista e as chances da entrada ser negada são menores. Segundo Veronica Melo, agente de viagem da Consultur Turismo, a obtenção do visto pode se dar por meio de representantes. “Mas é necessário estar com a documentação em dia”, lembra. São pedidos os mesmos documentos de outros países como o Canadá e a Austrália, e a aprovação também dependerá da autorização do consulado. Cada país europeu possui sua peculiaridade, como o prazo de permanência e prolongamento da estada. É indispensável, no entanto, estar matriculado em uma escola ou universidade. Mas ainda segundo Veronica, o visto de estudante europeu é interessante, pois também dá a possibilidade de viajar por todo o continente como turista. Já o visto de trabalho é mais complicado de ser obtido. As chances aumentam caso o trabalhador seja indicado por alguma empresa, por exemplo, e chegar lá com emprego garantido. “Oitenta por cento dos vistos de trabalho requeridos são negados”, revela a agente de viagem.

Para os países componentes do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai), o visto não é requerido, assim como o passaporte. Além disso, a Bolívia, o Chile, a Colômbia, o Equador, o Peru e a Venezuela também estão presentes no acordo que reconhece os documentos de identificação de cada Estado.

Para informações mais específicas, consulte a página da embaixada do seu destino. Alguns links estão disponíveis na coluna à direita.

Written by Débora, Fernanda, Ita e Laís

03/04/2009 at 11:55 AM

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Apresentação

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Este é o blog da cadeira de Jornalismo Digital, do 3º semestre de jornalismo da PUCRS. Nós somos Débora Backes, Laís Cantelli, Fernanda Meneghetti e Ita Pritsch, e abordaremos aspectos da vida de intercambistas, como moradia, documentação, dinheiro e adaptação. Acompanhe também os relatos de jovens que já passaram por essa experiência.

Written by Débora, Fernanda, Ita e Laís

20/03/2009 at 2:25 PM

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